Para José Ricardo Basiches, o desenho é uma compulsão
O profissional paulistano valoriza o desenho a mão livre na concepção de projetos nos quais procura colocar paixão na busca de emoção e bem-estar: "Tudo começa com um simples rabisco".

Visitar em São Paulo o escritório do arquiteto José Ricardo Basiches é entrar em um mundo de rabiscos feitos por ele em todos os lugares, em qualquer superfície: do caderno ao iPad, passando pelas obras de sua arte que transita do papel às peças de roupa em uma explosão de criatividade que é a base de seu trabalho. Tudo começou nos croquis de seus projetos, claro, mas o processo criativo do profissional formado pela Faculdade de Belas Artes, em 1997, tomou conta geral, e hoje faz de Basiches também um arquiteto exposto e admirado em diversas plataformas, das redes on-line até projetos inusitados como o de um campo de futebol do Clube Hebraica SP, e também da primeira sinagoga de Brasília (“ainda na prancheta”, ele diz), entre outros. Basiches é vencedor do Prêmio Architizer 2018, um dos mais prestigiados da arquitetura mundial. O trabalho do Basiches Arquitetos Associados, na Vila Buarque, um bairro ao lado de Higienópolis, os insere neste enclave cult da cidade formado por diversos escritórios de outros tradicionais e mais antigos colegas de profissão. Na cobertura do prédio modernista, com direito a terraço que em breve ganhará um jardim, o pé direito duplo exclusivo de seu imóvel e os janelões de vidro do piso ao teto fazem entrar uma luz inesperada no caos urbano de São Paulo. "Vou do luxo ao lixo”, diz ele, em uma diversidade que preenche os olhares diferentes e vira projetos - e arte. “Fui fazer arquitetura por isso; o estímulo criativo sempre foi muito forte”, diz José Ricardo, com seu olhar sensível e apurado, e sempre com vontade artística. Desenhista compulsivo, portanto, ele também desenvolve design de móveis e até revestimentos para seus clientes, como mesas e tapetes, ou até quadros. Para este criativo em grau máximo, o desenho é realmente uma compulsão. Nos projetos, de todos os tipos, padrões e tamanhos, entre comerciais e residenciais - casas de praia e de condomínios -, Basiches busca sempre o inusitado. Seja em lojas, casas ou prédios. “Quero levar o bem- estar e a emoção às pessoas”, complementa o arquiteto e pai de trigêmeas que coloca paixão em todos os seus projetos. As diferentes escalas, reforça, também o atraem, e há sempre o desafio “de fazer o que nunca fizemos” - ele mesmo complementa. E mesmo aplaudindo os grandes do Brasil e do mundo, como nosso Isay Weinfeld, o francês Jean Nouvel e o japonês Tadao Ando, ele ainda diz muito despretensiosamente: “a nossa pretensão é continuar rabiscando”.