Arquitetura _ 18 junho 2026 _ por Sérgio Zobaran

Marcio Kogan: A busca pela perfeição

A obra do arquiteto Marcio Kogan se destaca por aquilo que ele classifica como busca pela perfeição, onde o desenho não é só ferramenta, é essência.

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Entrar no predinho verde dos Jardins, em São Paulo, é conhecer um modo muito próprio de criar boa arquitetura com identidade, precisão e estética incomparáveis. Desta sede do escritório de Marcio Kogan, que segue incólume diante da expansão imobiliária na capital paulista, seu mestre-maestro rege há cerca de 40 e poucos anos uma orquestra que hoje tem 50 talentosos profissionais que não conheceram, como ele, o desenho a lápis sobre papel manteiga, ou caneta a nanquim sobre o papel vegetal. O desenho, nesse contexto, ocupa um papel central. É nele que as ideias ganham forma, que as tensões são resolvidas e que a arquitetura encontra seu ponto de síntese. Mais do que ferramenta, o traço é pensamento — e é também onde se manifesta a paixão que orienta sua prática. É da relação entre controle e sensibilidade que emerge a estética de Marcio Kogan. Uma estética que evita excessos e que se sustenta na permanência. O uso de materiais como concreto, madeira e vidro, frequentemente explorados em sua obra, não busca protagonismo isolado, mas integração. O trabalho democrático e colaborativo implantado em seu escritório há um exato quarto de século - a partir daí com o nome Studio MK27 - tem um time de profissionais então já muito atrelados à computação, mas em suas diferentes funções: design, interiores, e também a comunicação. “E mais a sustentabilidade sempre”, como Kogan reforça em exemplos diversos, no discurso tão tranquilo quanto a sua personalidade. Para falar do momento atual na arquitetura urbana de São Paulo, cidade em que acontece o propalado boom de novos edifícios em estilos relativamente diversos, o arquiteto Marcio Kogan (nascido na capital e formado em 1976 na FAU-Mackenzie, filho de arquiteto - Aron, e pai de arquiteto - Gabriel) busca enaltecer a recente escolha de suas construtoras em busca de uma melhor arquitetura para esses novos empreendimentos, “a exemplo dos projetos realizados aqui nos anos 1940, 50 e 60”. O arquiteto conversa com a maior propriedade de quem obteve mais de 40 prêmios brasileiros e 120 internacionais, e hoje desenvolve novas obras na América Latina e do Norte, Europa, Ásia e Oceania - além do Brasil e, especificamente de São Paulo, onde vive este professor do Politecnico di Milano, e membro do MASP e do MuBE, um apaixonado por móveis - desde os bancos de obra até os italianos, fabricados a partir de seus desenhos tão admirados. Imagens: Ilana Bessler (@habitado.projeto)