Roberto Migotto: “Todo arquiteto tem que ser um bom ouvinte”
A visão criativa e os projetos precisos transformaram Roberto Migotto, da autodenominada "geração prancheta", em referência no universo da arquitetura e do design

Sou da “geração prancheta”, dispara o arquiteto e exímio desenhista Roberto Migotto, um cidadão do mundo nascido em Taubaté, no interior de São Paulo, e formado na Braz Cubas/Centro Universitário, em Mogi das Cruzes. Na capital paulista ele mora há mais de 20 anos em um lindo apartamento de cobertura na prestigiada Vila Nova Conceição. E, nesse bairro, Migotto também tem outro luxo: o escritório, instalado em uma grande casa de três andares totalmente reconstruída por ele, que revela desde a fachada a elegância no traço de seu proprietário, idealizador e mentor. Migotto relembra: “Ainda moleque, e morando na área rural, sonhava com o mundo, e já desenhava os predinhos e as igrejas tradicionais e belíssimas da minha cidade, que têm como referência maior sua grandiosa catedral, construída a partir de meados do século 17”. Para conversar com a Flo, o arquiteto reúne para um bate-papo em sua sala os integrantes do time criativo do lugar - quase todos há décadas ali reunidos - e descreve seus caminhos na criação de projetos de casas urbanas, de praia ou ainda dos mais importantes condomínios no interior, além de algumas fazendas e de apartamentos monumentais, como o que revela a maior cobertura da cidade efervescente - esta que o abriga, anima e estimula a crescer. Tutor querido, generoso e catalisador de todos os olhos e ouvidos, Roberto Migotto relembra suas histórias de vida, desde as idas a São Paulo, onde o que despertava sua atenção era a visão dos grandes prédios - da torre do Banespa à da Catedral da Sé. Nessa época ele já queria ser arquiteto, mas como não havia esta faculdade em sua cidade, e o pai preferia que sua formação fosse em Engenharia, foi na Universidade de Taubaté que Roberto se graduou como técnico de edificações. E este foi o ponto de partida para entrar na área, uma vez que estava tecnicamente apto para projetar construções de até 120 metros quadrados. A faculdade de arquitetura veio em seguida, relembra o arquiteto que desenha todo o tempo enquanto fala. Já o primeiro estágio foi na esquina emblemática das avenidas Rebouças e Faria Lima, na capital. Em seguida, a montagem de um primeiro escritório, e o projeto pioneiro foi o de uma casa de praia em Ubatuba. O segundo escritório foi numa casa dos Jardins, e depois outro na da Vila Nova: um espaço então pequeno, que virou hoje o grande e estiloso lugar de trabalho onde Migotto atua à frente de uma equipe de 35 colaboradores ali diante de suas telas dos computadores e de grandes projetos, como desde lá atrás, no início da carreira, quando assinava os de muitas lojas nos melhores shopping centers paulistanos da época, como o Iguatemi e o Ibirapuera… Observador antenado e exigente, aquele que vê beleza nas coisas simples, e inspirado por seu senso estético desenvolvido em viagens - ou filtrado e absorvido até em cenas de filmes -, Roberto Migotto acredita que “todo arquiteto tem que ser um bom ouvinte”. Por isso, se orgulha de estar hoje já atendendo a uma segunda geração de clientes. Com sua visão globalizada, que o leva no momento a desenvolver obras simultâneas em São Paulo e no Pará, em Punta del Este, Londres, Barcelona e Lisboa, fica assim demonstrada sua facilidade de transitar de muitas formas entre o clássico e o contemporâneo, o que resulta em atemporalidade. “Tudo com proporção e escala; aconchego, conforto e praticidade; em busca da excelência, da qualidade, e de algo completamente personalizado”, ele encerra.